Sexta-feira, Novembro 24, 2006

Nossas paradoxais vidas, uma vez ou outra mostram-se consistentes, convergentes sabe?! Uma atração magnética ímpar! Há poucos dias, conheci uma banda de rock psicodélico chamada Hawkwind. Ela surgiu no final dos anos 60 e até hoje se apresenta. Assim que baixei o álbum Space Ritual pelo rapidshare, me pus a ouvi-lo sem saber nada sobre a banda. O som era alucinante, me fazia sentir desbravando o infinito espaço, o multiverso. Fascinado com as músicas, me indagava: “Por que nunca ouvi falar desta banda antes? Por que ninguém nunca sequer citou o nome ou alguma música da banda?”. Fui até o pai virtual dos burros, a wikipedia, e procurei sobre a banda. Eu fiquei assustado ao ler a descrição e a história da banda, realmente as minhas sensações que emergiam ao ouvir suas músicas eram não só condizentes com o que li na wikipedia (não poderia ser diferente), mas a presença de Michael Moorcock na banda foi inusitada. As músicas da banda Hawkwind inspiram-se em contos de ficção científicas, principalmente nas histórias de Moorcock. A sintonia entre a banda e Moorcock foi tão grande, que o escritor participou diretamente de alguns álbuns cantando e compondo algumas letras.

Dois dias depois, pensando num personagem para jogar virtualmente com alguns dos meus eternos e errantes amigos, relembrei de personagens marcantes de HQ para me inspirar: Gideon Stargrave (King Mob) e Luther Arkwright. Novamente, fui a rede procurar mais informações sobre eles e então mais surpresas! Ambos personagens foram inspirados em Jerry Cornelius, criado por Michael Moorcock.

O que quero dizer com tudo isso? É que eu nasci para ser fã deste cara. Apesar de alguns falarem que ele não escreve bem, Moorcock inspira grandes escritores como: Neil Gaiman, Alan Moore, Warren Ellis, Moebius, etc (curiosamente hehehe também sou fã desses caras). Assim que soube da existência de Moorcock, antes do google existir, fuçando outro sítios de busca conheci o maravilhoso multiverso criado por ele.

É isto!

Viva o incomensurável Multiverso que são as nossas vidas!


Quem sabe um dia desses não nos encontramos numa noite de horizonte alaranjado, embriagados em nossas bebidas favoritas e dançando por entre as nuvens à melodia descompassada do Norte.

Espero ver-lo(a) em breve!


“Space is infinite.

It is dark.

Space is neutral.

It is cold.

Stars occupy minute areas of space.

They are clustered a few billion here.

A few billion there.

As if seeking consolation in numbers.

Space does not care.

Space does not threaten.

Space does not comfort.

It does not sleep;it does not wake; it does not dream; it does not hope; it does not fear; it does not love; it does not hate; it does not encourage any of these qualities.

Space cannot be measured.

It cannot be angered, it cannot be placated.

It cannot be summed up.

Space is there.

Space is not large and it is not small.

It does not live and it does not die.

It does not offer truth and neither does it lie.

Space is a remorseless, senseless, impersonal fact.

Space is the absence of time and of matter.”

- Moorcock, Black Corridor (Hawkwind)


::Referências::

Hawkwind

http://en.wikipedia.org/wiki/Hawkwind

Michael Moorcock

http://en.wikipedia.org/wiki/Michael_Moorcock

Luther Arkwright

http://www.internationalhero.co.uk/a/arkwrit.htm

Gideon Stargrave

http://en.wikipedia.org/wiki/Gideon_Stargrave


Jerry Cornelius

http://en.wikipedia.org/wiki/Jerry_Cornelius



Sexta-feira, Novembro 10, 2006

Poema XIV

"vou moer teu cérebro. vou retalhar tuas
coxas imberbes & brancas.
vou dilapidar a riqueza de tua
adolescência. vou queimar teus
olhos com ferro em brasa.
vou incinerar teu coração de carne &
de tuas cinzas vou fabricar a
substância enlouquecida das
cartas de amor."

(Roberto Piva--20 Poemas com Brócoli, 1981)

Sexta-feira, Outubro 20, 2006

Um pequeno texto, bem simples, que dá os conceitos básicos da entropia, um pouco moral(a favor da ordem), mas muito interessante para entendermos inevitabilidade do nada ao qual estamos destinados.


Caos e a ordem - Nova versão
Coluna Física Sem Mistério
Ciência Hoje On-line18 de agosto de 2006

A vida em grandes metrópoles – como São Paulo, Tóquio, Nova York e Paris – apresenta uma série de vantagens que tornam essas cidades especiais. Nelas encontramos muitos dos atributos que consideramos sinônimos de progresso, como facilidades de acesso aos bens de consumo, oportunidades de trabalho, lazer, serviços, educação, saúde etc.

Por outro lado, em algumas delas, devido à grandiosidade dessas cidades e aos milhões de cidadãos que ali moram, existem muito mais problemas do que benefícios. Seus habitantes sabem como são complicados o trânsito, a segurança pública, a poluição, os problemas ambientais, a habitação etc. Sem dúvida, são desafios que exigem muito esforço não só dos governantes, mas também de todas as pessoas que vivem nesses lugares. Essas cidades convivem ao mesmo tempo com a ordem e o caos, com a pobreza e a riqueza, com a beleza e a feiúra.

A tendência das coisas a se desordenarem espontaneamente é uma característica fundamental da natureza. Para que ocorra a organização, é necessária alguma ação que restabeleça a ordem. É o que acontece nas grandes cidades: despoluir um rio, melhorar a condição de vida dos seus habitantes e diminuir a violência, por exemplo, são tarefas que exigem muito trabalho e não acontecem espontaneamente. Se não houver qualquer ação nesse sentido, a tendência é que prevaleça a desorganização.

Em nosso cotidiano percebemos que é mais fácil deixarmos as coisas desorganizadas do que em ordem. Quando espalhamos objetos pela casa, temos muito trabalho para colocarmos as coisas em ordem. Organizar é sempre mais difícil que bagunçar. A ordem tem seu preço.

Entropia:

A existência da ordem/desordem está relacionada com uma característica fundamental da natureza que denominamos entropia. A entropia está relacionada com a quantidade de informação necessária para caracterizar um sistema. Dessa forma, quanto maior a entropia, mais informações são necessárias para descrevermos um sistema.

Para facilitar a compreensão desse conceito, podemos fazer uma analogia com algo bastante comum: cartas de baralho. Se inicialmente tivermos o baralho com as cartas organizadas de acordo com a sua seqüência e naipes, o nosso sistema (baralho) contém um certo grau de informação. Rapidamente descobrimos qual é a regra que está organizando as cartas.

Por outro lado, quando embaralhamos as cartas, bastam apenas alguns movimentos para que a seqüência inicial seja desfeita, ou seja, as cartas ficam mais desorganizadas. Para recolocá-las na ordem inicial, necessitaremos de muito mais informações a respeito da posição da carta (teremos que descobrir onde está o 5 de copas para colocá-lo após o 4 de copas). As cartas embaralhadas apresentam, então, uma entropia maior do que a das cartas organizadas.

A tendência do aumento da entropia está relacionada com uma das mais importantes leis da física: A segunda lei da termodinâmica. Essa lei mostra que, toda vez que realizamos algum trabalho, parte da energia empregada é perdida para o ambiente, ou seja, não se transforma em trabalho útil. Ao organizarmos as cartas, gastamos energia e, conseqüentemente, liberamos algum calor para o meio ambiente. A energia liberada ajudará a desorganizar as moléculas de ar ao nosso redor, aumentando a entropia ao nosso redor. Dessa forma, para diminuir a entropia de um determinado lugar é necessário aumentar a entropia em outro.

Embate Constante

A manutenção da vida é um embate constante contra a entropia. A luta contra a desorganização é travada a cada momento por nós. Desde o momento da nossa concepção, a partir da fecundação do óvulo pelo espermatozóide, nosso organismo vai se desenvolvendo e ficando mais complexo. Partimos de uma única célula e chegamos à fase adulta com trilhões delas, especializadas para determinadas funções. A vida é, de fato, um evento muito especial e, até o momento, sabemos que ela ocorreu em um único lugar do universo – o nosso planeta.

Entretanto, com o passar do tempo, nosso organismo não consegue mais vencer essa batalha. Começamos a sentir os efeitos do tempo e envelhecer. Nosso corpo já não consegue manter pele com a mesma elasticidade, os cabelos caem e nossos órgãos não funcionam mais adequadamente. Em um determinado momento, ocorre uma falha fatal e morremos.

Como a manutenção da vida é uma luta pela organização, quando esta cessa, imediatamente o corpo começa a se deteriorar e rapidamente perde todas as características que levaram muitos anos para se estabelecer. As informações acumuladas ao longo de anos, registradas em nosso cérebro a partir de configurações específicas dos neurônios, serão perdidas e não poderão ser novamente recuperadas com a completa deterioração do nosso cérebro.

A entropia nos mostra que a ordem que encontramos na natureza é fruto da ação de forças fundamentais que, ao interagirem com a matéria, permitem que esta se organize. Desde a formação do nosso planeta, há cerca de cinco bilhões de anos, a vida somente conseguiu se desenvolver às custas de transformar a energia recebida pelo Sol em uma forma útil, ou seja, capaz de manter a organização.

Para tal, pagamos um preço alto: grande parte dessa energia é perdida, principalmente na forma de calor. Dessa forma, para que existamos, pagamos o preço de aumentar a desorganização do nosso planeta. Quando o Sol não puder mais fornecer essa energia, dentro de mais cinco bilhões de anos, não existirá mais vida na Terra. Com certeza a espécie humana já terá sido extinta muito antes disso.

O universo também não resistirá ao embate contra o aumento da entropia. Em uma escala inimaginável de tempo de 10 elevado a 100 anos (10 seguido de 100 zeros!), se o universo continuar a sua expansão, que já dura aproximadamente 15 bilhões de anos, tudo o que conhecemos estará absolutamente disperso. A entropia finalmente vencerá. Mas essa historia fica para um outro dia.


O autor:
Name:Adilson J A de Oliveira
Location:São Carlos, SP, Brazil
Doutor em Ciências e Professor do Departamento de Física da UFSCar - membro do Grupo de Supercondutividade e Magnetismo e do Núcleo de Excelência de Materiais Nanoestruturados Fabricados Eletroquimicamente .
e-mail: adilson@df.ufscar.br

Sexta-feira, Setembro 01, 2006

Um pouco de poesia, psicodelia e subversão pra esse mundo lindo, cheio de gente imbecil, onde nasceram alguns poucos como o autor desses versos. Trangressor de palavras belas, um incrivél poeta tupiniquin.


A PIEDADE

Eu urrava nos poliedros da Justiça meu momento
abatido na extrema paliçada
os professores falavam da vontade de dominar e da
luta pela vida
as senhoras católicas são piedosas
os comunistas são piedosos
os comerciantes são piedosos
só eu não sou piedoso
se eu fosse piedoso meu sexo seria dócil e só se ergueria
aos sábados à noite
eu seria um bom filho meus colegas me chamariam
cu-de-ferro e me fariam perguntas: por que navio
bóia? por que prego afunda?
eu deixaria proliferar uma úlcera e admiraria as
estátuas de fortes dentaduras
iria a bailes onde eu não poderia levar meus amigos
pederastas ou barbudos
eu me universalizaria no senso comum e eles diriam
que tenho todas as virtudes
eu não sou piedoso
eu nunca poderei ser piedoso
meus olhos retinem e tingem-se de verde
Os arranha-céus de carniça se decompõem nos
pavimentos
os adolescentes nas escolas bufam como cadelas
asfixiadas
arcanjos de enxofre bombardeiam o horizonte através
dos meus sonhos

--Roberto Piva

Quinta-feira, Agosto 31, 2006

"... Nada é causa de Deus e da humanidade, a não ser eles próprios. Do mesmo modo, Eu sou a minha causa, eu que, como Deus, sou o nada de todo o resto, eu que sou o meu tudo, eu que sou o único.

Se Deus e a humanidade, como vós assegurais, têm em si mesmos substância suficiente para serem, em si, tudo em tudo, então eu sinto que a mim me faltará muito menos, e que não terei de me lamentar pela minha “vacuidade”. O nada que eu sou não o é no sentido da vacuidade, mas antes o nada criador, o nada a partir do qual eu próprio, como criador, tudo crio.

Por isso: nada de causas que não sejam única e exclusivamente a minha causa! Vocês dirão que a minha causa deveria, então, ao menos ser a “boa causa”. Que bom, qual mal! Eu próprio sou a minha causa, e eu não sou nem bom nem mau. Nem uma nem outra coisa faz para mim qualquer sentido.

O divino é a causa de Deus, o humano a causa “do homem”. A minha causa não é nem o divino nem o humano, não é o verdadeiro, o bom, o justo, o livre, etc., mas exclusivamente o que é meu. E esta não uma causa universal, mas sim... única, tal como eu.

Para mim, nada está acima de mim!"

--Max Stirner, A minha causa é a causa de nada.

Domingo, Julho 16, 2006

"Vivemos a vida, sem nada melhor pra fazer. Depois inventamos razão.
Nascemos do vazio; temos filhos, condenados ao inferno como nós; voltamos ao vazio. Não existe mais nada.
A existência é aleatória. Sem padrão a não ser o que imaginamos depois de contemplar tudo por muito tempo. Sem sentido a não ser o que escolhemos impor.
O mundo desgovernado não é moldado por vagas forças metafísicas. Não é deus que mata as crianças. Não é o acaso que as trucida nem é o destino que as dá de comer aos cães.
Somos nós.
Só nós."

--Alan Moore, Wachmen.


Dá-lhe Rorschach!! Sem duvida um dos mais incriveis personagens da história dos HQ´s.

Terça-feira, Julho 04, 2006

Saúde guerreiros!

Um pouco da poesia do Capão Redondo, pra gente lembrar q a vida eh louca, e nela tamos só de passagem.

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Jesus Chorou

Racionais Mc's

O que é o que é??

Clara e salgada,
cabe em um olho e pesa uma tonelada,
tem sabor de mar,
pode ser discreta,
inquilina da dor,
morada predileta.,
na calada ela vem,
refém da vingança,
irmã do desespero,
rival da esperança,
pode ser causada por vermes e mundanas
ou pelo espinho da flor,
cruel que vc ama,
amante do drama,
vem pra minha cama,
por querer, sem me perguntar me fez sofrer,
e eu que me julguei forte,
e eu que me senti,
serei um fraco,
quando outras delas vir,
se o barato é louco e o processo é lento,
no momento,
deixa eu caminhar contra o vento,
do que adianta eu ser durão e o coração ser vulnerável,
o vento não, ele é suave, mas é frio e implacável,
(é quente) borrou a letra triste do poeta,
(só) correu no rosto pardo do profeta.
Verme sai da reta,
a lágrima de um homem vai cair,
esse é o seu B.O. pra eternidade,
diz que homem não chora,
ta bom, falou ou vai pra grupo irmão ai
JESUS CHOROU ! ! !

Porra vagabundo óh,
vou te falar,
tô chapando,
eita mundo bom de acabar,
o que fazer quando a fortaleza tremer
e quase tudo ao seu redor,
melhor, se corromper,
(epa peralá, muita calma ladrão,
cadê o espírito imortal do Capão??)
lave o rosto nas águas sagradas da pia,
nada como um dia após o outro dia
que, sou eu seu lado direito,
tá abalado por que veio?
nego, é desse jeito!
Durmo mal, sonho quase a noite inteira,
acordo tenso, tonto e com olheira,
na mente: sensação de mágoa e rancor
uma fita me abalou na noite anterior
.Alô!!
-Ae dorme em doidão, mil fita acontecendo e cê ai..
-Que horas são??
-...Meio dia e vinte ó
a fita é o seguinte ó,
ñ éisqueirando não ó,
fita de mil grau,
ontem eu tava ali de CB, no peão,
com um truta firmezão,
cê tem que conhecer,
se pam se liga ele vai saber derepente,
ele fazia até um Rap num passado recente...
- Uhum.
-...vai vendo a fita,
se naum acredita,
quando tem que se é Jão (hã) pres'tenção,
vai vendo: parei pra fumar um de remédio,
com uns muleque lá e pá, trafica nos prédios,
um que chegou depois, pediu pra dar uns 2,
qual, um patrício ó, novão e os caráio,
fumaça vai, fumaça vem ele chapou o côco,
se abriu que nem uma flor, ficou louco,
tava eu mais dois truta e uma mina,
num tempra prata show filmado ouvindo Guina,
hi, o bico se atacou ó, falou uma pá do cê.
- tipo o que?
-Esse Brown aí é cheio de querer ser,
deixa ele moscar e cantar na quebrada,
vamo ver se é isso mêmo quando ver as quadrada,
periferia nada, só pensa nele mesmo,
montado no dinheiro e ceis aí no veneno,
e a cara dele truta?
cada um no seu corre,
tudo pelas verde, uns mata, outros morrem,
eu mesmo se eu catar voa numa hora dessa,
vou me destacar do outro lado de pressa,
vou comprar uma house de boy depois alugo,
vão me chamar de senhor...não por vulgo,
mas pra ele só a zona sul que é a pa,
diz que ele tira nós, nossa cara é cobrar,
o que ele quiser nós quer, vem que tem,
porque eu naum pago pau pra ninguém.
E eu?? só registrei né,não era de lá os mano tudo só ouviu,
ninguém falou um A
- Quem tem boca fala o que quer pra ter nome,
pra ganhar atenção das muié e/ou dos homens,
amo minha raça, luto pela cor,
o que quer que eu faça é por nós, por amor,
naum entende o que eu sou, não entende o que eu faço,
não entende a dor e as lágrimas do palhaço,
mundo em decomposição por um triz,
transforma um irmão meu num verme infeliz
e a minha mãe diz:
- Paulo acorda, pensa no futuro que isso é ilusão,
os proprio preto não tá nem ai com isso não,
olha o tanto que eu sofri, que eu sou, o que eu fui,
a inveja mata um, tem muita gente ruim.
-Pô mãe não fala assim que eu nem durmo,
meu amor pela senhora já não cabe em Saturno,
dinheiro é bom, quero sim se essa é a pergunta,
mas a dona Ana fez de mim um homem e não uma puta!
Ei você, seja lá quem for, pra semente eu não vim,
então, sem terror,
inimigo invisível, Judas incolor,
perseguido eu já nasci, demorou,
apenas por 30 moedas o irmão corrompeu,
atire a primeira pedra quem tem rastro meu,
cadê meu sorriso?onde tá?é, quem roubou?
Humanidade é má, e até Jesus Chorou
Lágrimas...Lágrimas...Jesus Chorou

Vermelho e azul, hotel, pisca só no,
cinza escuro do céu.
Chuva cai lá fora eaumenta o ritmo,
sozinho eu sou agora o meu inimigo intimo,
lembranças más vem, pensamentos bons vai,
me ajude,sozinho penso merda pra caráio,
gente que acredito, gosto e admiro,
brigava por justiça e paz levou tiro:
Malcom X,Ghandi, Lennon, Marvin Gaye,
Che Guevara, 2Pac, Bob Marley e
o evangélico Martin Luther King...
Lembrei de um truta meu falar assim:
-Não joga pérolas aos porcos irmão,
joga lavagem eles prefere assim,
se tem de usar piolhagem!
-Cristo que morreu por milhões,
mas só andou com apenas 12 e um fraquejou
periferia: Corpos vazios e sem ética
lotam os pagode rumo à cadeira elétrica
eu sei, você sabe o que é frustação,
máquina de fazer vilão,
eu penso mil fita, vou enlouquecer,
e o piolho diz assim qdo me vê:
-famoso pra karáio,durão, ih truta,
faz seu mundo não Jão,hã, a vida é curta,
só modelo por aí dando boi,
põe elas pra chupar e manda andar depois,
rasgar as madrugadas só de mil e cem,
se sou eu truta, não tem pra ninguém,
Zé Povinho é o Cão, tem esses defeitos,
quê? cê tendo ou não cresce os zóio de qualquer jeito,
cruzar se arrebentar, de repentemente vai,
de ponto quarenta, só querer tá no pente.
-Se só de pensar em matar já matou,
eu prefiro ouvir o pastor:
- Filho meu,não inveje o homem violento e nem siga nenhum dos seus caminhos...
Lágrimas...
Molha a medalha de um vencedor...
Chora agora ri depois, ae, JESUS CHOROU...
Lágrimas...